Em janeiro de 2026, depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi finalmente assinado. A cobertura da imprensa foi ampla, os discursos foram celebratórios, e o "maior acordo comercial da história" virou manchete por alguns dias. Depois disso, o tema saiu das primeiras páginas — mas os efeitos práticos do acordo estão apenas começando a ser sentidos. Para empresas brasileiras com interesse em expandir para o mercado europeu, o momento de entender o que esse acordo significa na prática — e não apenas na retórica — é agora.
O que poucos analisam com profundidade é a distância entre "acordo assinado" e "acordo em vigor". O texto ainda precisa passar por ratificação nos parlamentos dos países membros da União Europeia — um processo que pode levar anos e que tem opositores organizados, especialmente no setor agropecuário europeu. Mas parte das medidas pode entrar em vigor de forma provisória antes da ratificação completa. Para a Pizzi360, essa complexidade é exatamente onde está a oportunidade: empresas que entenderem o cronograma real, os setores contemplados e as regras de origem do acordo antes da concorrência estarão em vantagem competitiva significativa.
O que um gestor inteligente deveria notar aqui
- "Acordo assinado" e "acordo em vigor" são etapas muito diferentes. A aplicação integral das tarifas zeradas depende de ratificação. As empresas que planejam expansão para a Europa precisam trabalhar com um cronograma realista, não com a data de assinatura.
- As regras de origem são o detalhe que vai separar quem se beneficia de quem não se beneficia. O acordo estabelece critérios sobre qual porcentagem de um produto precisa ser "fabricada no Mercosul" para ter direito à tarifa reduzida. Empresas com cadeia de suprimentos internacionalizada precisam auditar se seus produtos se qualificam.
- O mercado europeu tem barreiras não-tarifárias significativas. Reduzir tarifa não elimina exigências de certificação, rastreabilidade, sustentabilidade (Carbon Border Adjustment Mechanism) e padrões sanitários. Quem entra na Europa sem entender essas regras vai travar nas alfândegas mesmo com tarifa zero.
- O setor de serviços também está no acordo — e é onde muitas empresas brasileiras estão subrepresentadas. Enquanto todo mundo fala de agronegócio e manufatura, o acordo abre janelas para prestadores de serviços profissionais, tecnologia e consultoria.
- A reciprocidade importa: produtos europeus também entrarão no Brasil com tarifas menores. Empresas que competem com importados europeus no mercado doméstico precisam revisar sua estratégia de preços e diferenciação.
Como isso pode melhorar o resultado da sua operação
A janela de vantagem competitiva está aberta — mas ela se fecha à medida que mais empresas entendem as regras do jogo. As empresas que usarem os próximos 12 a 18 meses para mapear sua elegibilidade no acordo, adaptar processos de certificação e construir relacionamentos com distribuidores europeus chegarão ao momento da vigência plena com infraestrutura pronta. As que esperarem o acordo "entrar em vigor de verdade" para começar o processo vão começar atrasadas.
Quer entender se sua empresa se qualifica e quais setores têm mais oportunidade nesse acordo? Fale com um especialista Pizzi360.
